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Brasil é único país do mundo a ter bebê gerado em útero transplantado de doadora morta

Postando e atualizado: 05-12-2018 às 10:04Hs



FONTE DA NOTÍCIA: O GLOBO


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Redação



Procedimento de sucesso acaba de ser relatado em uma das principais publicações médicas do planeta

RIO - Uma menina paulistana prestes a completar 1 ano de idade é a primeira criança, no mundo, gestada por uma mãe que recebeu um útero de uma doadora falecida. O procedimento de sucesso ainda único no planeta foi realizado por uma equipe do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo no ano passado, e agora está sendo oficialmente relatado em artigo publicado ontem no prestigiado periódico científico médico “The Lancet”.

Vítima da chamada Síndrome de Rokitansky, a analista de recursos humanos X — que pediu para não ser identificada — só descobriu que tinha nascido sem útero aos 25 anos, após conhecer o atual marido e pai da criança.

Conformada, ela, hoje com 34 anos, achava que assim nunca teria filhos naturalmente. Opinião que começou a mudar em 2014, quando descobriu por meio de grupo de apoio a mulheres com o problema do sucesso de operações de transplante de útero na Suécia. Mesmo assim, X não pensava que poderia vir a se beneficiar do procedimento, ainda experimental.

— Eu achava que isso ia demorar muito para chegar no Brasil, só daqui a dez anos ou mais, quando eu não teria mais idade para fazer — comenta.

Ledo engano. Então, os médicos Dani Ejzenberg e Wellington Andraus, do Centro de Reprodução Humana do HC da USP, que já tinham começado a trabalhar na técnica em experimentos com ovelhas, seguiam para Gotemburgo, Suécia, justamente para curso com Mats Brännström, profissional que liderou o desenvolvimento do procedimento na universidade da cidade.

— Ficamos lá uma semana e ele compartilhou o protocolo para uso da técnica em humanos — conta Ejzenberg.

De volta ao país, os médicos brasileiros continuaram seus estudos com animais, mas também logo iniciaram as tratativas para fazer as primeiras operações em humanos, com uma diferença fundamental: os úteros viriam de mulheres falecidas. Até então, todas as poucas histórias de sucesso do procedimento, com o nascimento de crianças vivas, no mundo tinham sido de transplantes do órgão de doadoras vivas.